Acontece Gramado

Para esta primeira coluna eu pensei em me apresentar e te dizer o motivo pelo qual eu aceitei estar aqui, quem sabe a gente ainda possa trocar muitas ideias.

Já adianto que, embora seja uma pessoa de convicções próprias, não me considero dona de nenhuma verdade absoluta e a minha pretensão é trazer um assunto para refletir. Sem verdades consumadas, apenas algo que pode te intrigar como intriga a mim.

Talvez alguns consigam identificar uma linha dos temas que pretendo abordar, mas não se prenda a mim e sim ao assunto. E não tem problemas se a gente discordar, discordar é bom porque quando alguém discorda de mim eu preciso pensar sobre o que eu falei e sobre o que eu ouvi e refletir para te responder. E a resposta pode ser: “É, você tem razão.” Ou eu posso continuar discordando, mas vou ter a oportunidade de melhorar meu argumento e também aprimorar minha capacidade de diálogo.

Diálogo. Que coisinha que anda fazendo falta…

Quando digo que tenho as minhas convicções é porque alguns assuntos eu busquei entender. De algumas coisas eu tenho certa compreensão, mas não de tudo. Aliás, da grande maioria das coisas eu ignoro e se não conseguir dialogar com quem sabe, talvez nunca tenha a oportunidade de entender. Mas afinal, quem lê tanta notícia para ter opinião formada sobre tudo!!

Karnal (Leandro Karnal, historiador, eu gosto, se você não gosta tudo bem!) falou que depois da expressão “lacrou” o diálogo ficou muito mais difícil. Avaliando pelos tais diálogos das redes sociais a gente tem uma ideia ao que ele se refere.

Fiz um curso para aprimorar minhas apresentações e uma das aulas falava especificamente sobre fontes e a informação mais importante era sobre a importância na escolha da fonte porque ela é que continha a voz.

Veja bem, já não é mais a pontuação que é a peça mais importante para comunicar o tom da voz e sim o layout da fonte. Sendo assim, as repostas em CAPS LOCK nunca é uma para uma fala fofa. Mas mesmo com a mesma fonte utilizada por todos nas redes sociais, porque sempre percebemos o tom de agressividade, mesmo que nela não existam layouts diferentes para dar o tom (CULPADA, eu já respondi brava por uma postagem que não tinha a menor intenção de brigar… talvez o hábito¿¿¿¿).

E aí vamos para uma palavra da moda que é a tal da EMPATIA. Percebo que neste universo, as falas, as discussões são carregadas de total falta dela. Tá, de conhecimento também, mas se você observar melhor as camadas dos posts vai verificar que falta de empatia por todos os lados.

Vou te explicar melhor. Quando alguém faz uma publicação reclamando e xingando todos os antepassados de quem ela julga ser o culpado, ou quando alguém faz uma crítica destrutiva ( a absurda maioria, pode me julgar), quem lê imediatamente se ofende e muitas vezes responde num tom tão ou mais agressivo. Aí uma coisa leva a outra, e está feita a divisão dos prós e contras a publicação. Sem chance de diálogo.

Redes Sociais Antigamente:
– Eu gosto de maçãs.
– Legal, eu gosto de pêras.
– Que bom.

Redes Sociais hoje:
– Eu gosto de maçãs.
– Algum preconceito contra as pêras¿
– Não, eu só prefiro maçãs.
– Então você odeia as pêras¿
– Eu nunca disse isso.
– Maldito odiador de pêras.
– Eu não odeio pêras!
– Odeia sim, você me dá nojo.

Vamos combinar que as redes sociais transformaram-se em uma latrina de sentimentos. Sem critérios, despeja ali sem dó ou piedade.

Dá para ver se a pessoa levou um fora, se está com novo amor, se emagreceu, engordou, enfim, se está “de boas” ou “de caras”, como dizem as milleniuns que habitam ao meu redor. Tudo ali explícito para quem tiver o mínimo de empatia e se você conseguir ser empático vai observar também que estamos num tempo em que a carência e a intolerância andam escancaradas.

EMPATIA podia virar tendência. Tenho um preconceito com esta expressão “tendência”, mas isso é tem para outra coluna. Considero tendência como não só aquilo que o mercado de moda te coloca como opção de consumo, mas como algo que de fato você consuma.

Muito prazer, me chamo Karen, sou só um ser humano tentando dar certo neste mundinho e gostaria de trocar ideias com você. Se isso não for um começo, semana que vem eu tento novamente. 


Por Karen Dinnebier
“Comecei a trabalhar aos 14 anos porque queria ser independente. Entrei na faculdade de Comércio Exterior, depois mudei para administração, mas pelo 5º semestre abandonei. Fiz Moda na Perestroika e atualmente curso Sociologia. Tenho apreciações diversas, interesso-me por assuntos variados e parei de tentar encaixar-me e passei a aceitar que sou assim, fora do padrão e movida pela paixão.”
Contato: [email protected]

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