Acontece Gramado

A mitologia grega traz uma de suas personagens mais intrigantes e contraditórias: Medéia. Vivia em Corinto, era casada com Jasão e tinha dois filhos. Um dia, se desentendeu com o rei Creonte e, a partir daí, este fez de tudo para que Jasão casasse com a sua filha, Creusa, e abandonasse Medéia.

Assim que conseguiu, tratou de banir Medeia da cidade. Para vingar-se, antes de abandonar a cidade, ela fez com que chegasse às mãos de Creusa um vestido embebido em uma poção tão venenosa que, ao vestir, Creusa sente seu corpo pegar fogo até a morte. Ao tentar socorrê-la, Creonte morre junto. Na fuga, Medeia não consegue levar seus filhos que, por vingança, foram apedrejados até à morte pelo povo da cidade.

Para escapar de seus crimes, Medéia foge para Atenas, encontra-se com o rei Egeu e, usando suas magias, casa-se com ele, tem um filho chamado Medo, e se apossa de vez do comando do reino. Tempos depois, ao receber a notícia de que Teseu estaria vindo para a cidade, Medéia, sabendo que ele era o herdeiro legítimo do trono, em vez de revelar a Egeu, temeu perder todo o status que conquistou à base de mentiras e assassinatos, convence o rei a matá-lo em um banquete colocando veneno em sua taça.

No banquete, querendo se revelar ao pai, Teseu desembainhou a espada para cortar a carne, Egeu reconheceu de imediato o filho, derrubou a taça, o abraçou e ali mesmo proclamou-o seu sucessor. Medéia, então descoberta, é expulsa da cidade com seu filho, o Medo.

A história de Medéia revela uma lista de fugas, crimes, mentiras, medos e suas trágicas consequências e nos mostra que, embora seja mais fácil fugir de nossos medos em vez de encará-los, as consequências disso a longo prazo podem ser devastadoras. Mas como enfrentar nossos medos?

Primeiramente, é preciso entender qual é a base de sustentação do medo e suas raízes. A base de sustentação do medo é a inconsciência, ou seja, é o não reconhecimento de sua existência, fingir ou não saber que ele existe. Já a raiz de todo medo é sempre o medo da morte.

Morrer significa deixar de existir, o que é terrível, pois somos muito apegados emocionalmente a esta vida, nos agarramos a ela como se fosse a única realidade existente e somos capazes de fazer coisas absurdas por conta desse apego.

Mas, entenda que existem duas mortes: a morte física e a morte da imagem (também chamada de ego).

A morte física é a morte real, o falecimento, o parar de funcionar e está atrelada à dor. Muitas vezes não temos medo de morrer, temos medo de sentir dor. E isso é tão forte e presente em nossas vidas por que temos um mecanismo real instalado em parte de nosso cérebro, chamado Cérebro Reptiliano, responsável por captar qualquer sinal de perigo e calcular a ação necessária para escapar da dor.

Assim que detecta qualquer possível risco, ele automaticamente inicia um processo extremamente rápido de liberação de hormônios que, ou dão um boost no nosso corpo para, por exemplo, disparar em uma corrida ou nos paralisam frente a uma situação.

Já a morte da imagem acontece quando aquela figura que criamos a nosso respeito é desmascarada e deixa de existir. O medo vem da possibilidade de que tudo aquilo que construímos a nosso respeito vir a desmoronar quando os outros verem que não somos aquilo que tanto afirmamos  ser. O que vão pensar de mim?!

Essa morte da imagem está sempre atrelada à questões sociais, por isso é sócio-relativa. É o medo da vergonha, da humilhação, da situação vexatória que estão indiretamente conectados ao medo da solidão, do abandonado, porque, se ficarmos sozinhos não teremos comida, nem calor e morreremos fisicamente. Parece exagero? Não é para nosso cérebro. Estar em grupo sempre vai representar calor humano, aconchego e bem-estar. Logo, ser aceito é uma procura constante.

O medo é o principal bloqueador de nossa energia potencial visto que gastamos muito tempo e energia imaginando uma realidade futura que quase nunca acontece. São milhares de cálculos de prós e contras, perdas e ganhos, certo ou errado, que acabam por retardar até mesmo as decisões mais simples e, por fim, acabamos nos desgastando por possibilidades irreais que só retardam nosso poder de agir. 

Exercício Prático: Pegue uma folha e escreva seus 10 maiores medos. Depois, olhe um a um e classifique se representam morte Física ou morte de Imagem. Então, use a técnica do Pior Cenário se perguntando: Qual será a pior consequência se esse medo se tornar realidade e qual solução você tomaria? Por fim, dê uma nota de 0 a 5 para a probabilidade de cada um deles acontecer (sendo 5 a certeza de que vai acontecer). 

Verá o quanto seus medos são ilusórios! 90% deles estão apenas na tua cabeça. Menos de 10% representa um perigo real de morte! Qual a probabilidade de você morrer de fome ou de solidão na atualidade? O primeiro passo para se tornar alguém autoconfiante e com alto Poder Pessoal é enfraquecer seus medos, ao identificá-los e classificá-los eles perdem sua força.

Enfrentar nossos medos aumenta nossa coragem, ousadia e nos torna pessoas progressistas, menos preocupadas, generosas, alegres e mais leves.

Não perca! No próximo texto: O Quarto Mandamento da Autoconfiança.

Analista Comportamental, Life Coach, Monitor de Inovação da USJ e idealizador da Reeducação Positiva.
Um potencializador de indivíduos, equipes e resultados. 
Insta: @reeducacao.positiva
Site: www.reeducacaopositiva.com.br

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