Acontece Gramado

Se existe uma pessoa que vai tentar nos proteger de todos os perigos da vida, essa pessoa é a nossa mãe. Sua conexão conosco é tão forte que, não raro, sentem quando estamos em apuros. Elas são capazes de, literalmente, darem suas vidas por nós. Se pudessem trocariam de lugar conosco para sofrer a dor em nosso lugar.

Mas essa total proteção, além de não ser possível, pode ser prejudicial, quando em excesso. Seriam nossas mães em parte responsáveis pela nossa autoconfiança?

Pegarei como exemplo uma jovem mãe da mitologia, Tétis, uma ninfa do mar, filha de Nereu, antigo deus marinho. As ninfas eram uma espécie de fadas que personificavam a graça criativa e fecundadora na natureza. Embora não fossem imortais, tinham vidas muito longas e não envelheciam.

Quando jovem, Tétis foi forçada a ter relações com o rei Peleu e obrigada a se casar com ele. Dessa relação arranjada, nasceram sete filhos e, na tentativa de proteger seus filhos, essa inexperiente mãe cometeu graves erros. Quando nasciam, ela expunha o bebê ao fogo, gelo e outros elementos, desejando purificá-lo da parte mortal herdada do pai e, apesar da boa intenção, eles não resistiram aos duros testes e morreram. Apenas um único filho, que foi mergulhado no rio Estige sobreviveu: Aquiles.

Aquiles se tornou invulnerável em todo o seu corpo, exceto em seu calcanhar, parte onde sua mãe segurou para mergulhá-lo no rio. E foi justamente esse ponto fraco que ocasionou sua morte ao ser atingido por uma flecha envenenada. Daí vem a expressão “calcanhar de Aquiles”, que indica a principal fraqueza de alguém.

Ainda assim, adulto e invulnerável, a mãe Tétis protegeu seu filho durante toda a sua vida sempre tentando afastá-lo dos perigos e consolando-o em suas tristezas. Algo familiar?

Quando pequeninos somos puros e espontâneos, não temos medo nem vergonha de ser quem somos, não vemos perigo nem maldade em nada, nem em ninguém, por isso nos expressamos com total espontaneidade e naturalidade, mas, na maioria das vezes, essa forma natural de se expressar, essa vulnerabilidade, não corresponde às expectativas de nossos pais em relação a nós.

Talvez não fossem suficientemente maduros para aceitar e acolher nossa espontaneidade juvenil e cortaram nossa liberdade de expressão – expondo-nos ao fogo ou ao gelo.

Então, desde cedo começamos a ter contato com esse sentimento de inadequação, pois fomos duramente criticados por aqueles que deveriam nos dar amor, ou melhor, corresponder ao nosso amor.

Palavras fortes podem ter sido ditas, Para com isso! Não faça mais aquilo! Quando adolescentes machuca muito ouvir: Você não sabe fazer nada direito! Desse jeito não vai conseguir ser alguém na vida  – o fogo.

O pior é quando nos reprimiram de forma indireta, através da retirada do amor, quando fizemos algo que eles não aprovaram e fomos punidos com frieza e indiferença – o gelo. 

Muitos de nós tem dificuldade de aceitar a crítica, pois desde cedo ela está ligada à autopercepção de desamor, mas isso não é verdade, tudo foi uma tentativa imatura de dizer: Quero que você seja forte, quero que esteja preparado para os desafios da vida.

A verdade é que criamos aversão à crítica desde pequeninos, mas se você está lendo este texto, já tem idade suficiente para desvincular essa percepção infantil e pular para uma atitude madura e positiva em relação à crítica.

Aprender a lidar com a crítica é fundamental para darmos continuidade aos nossos objetivos e  não desistirmos após alguma desaprovação.

Cinco dicas para aceitar melhor a crítica:

  1. Crie o hábito de, após alguma tarefa, perguntar a um colega ou chefe o que poderia melhorar no futuro.
  2. Demonstre humildade e força de vontade de aprender e mudar
  3. Não pense em agradar todo mundo, apenas conquistar o máximo de pessoas.
  4. Se seu projeto depende da aprovação de certas pessoas, fique especialmente atento à crítica delas e faça as modificações que elas sugeriram. 
  5. Quando for criticar alguém, antes pergunte-se: Minha intenção ao falar isso é realmente ajudar a pessoa a crescer ou estou tentando encaixá-la em meu gosto pessoal? 

Quando aprender a deixar aquela criança interior fora disso e, em vez de temer ser criticado, começar a incluir a crítica em todas a suas empreitadas, criará um mecanismo de não levá-las para o lado pessoal e, assim, terá menos impedimentos mentais e emocionais para entrar em ação.

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Na próxima semana: O Sexto Mandamento da Autoconfiança.

Analista Comportamental, Life Coach, Mentor de Inovação e idealizador da Reeducação Positiva.
Um potencializador de indivíduos, equipes e resultados. 
Insta: @reeducacao.positiva
Site: www.reeducacaopositiva.com.br

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