Acontece Gramado

Se você acha que a mitologia só ensina sobre o herói poderoso que vence sempre, está enganado. Ela pode nos ensinar sobre fracasso, desapego e desistência. O protagonista desta lição foi Cadmo, segundo a lenda, sua irmã, Europa, foi sequestrada por Zeus e seu pai, o rei Agenor, transtornado com a falta da filha, ordena que Cadmo e seus dois irmãos saíssem pelo mundo afora à procura dela e que não ousassem voltar de mãos vazias.

Cadmo, então, embarca numa homérica jornada em busca de sua irmã. Durante anos, o jovem viaja para inúmeros lugares, vasculha todo tipo de terreno, cada cidade, cada pequeno vilarejo, percorrendo os mais distantes territórios que suas forças permitiram. Cansado, insatisfeito e já incerto sobre sua procura, ouve falar de um oráculo que vivia em uma caverna e vai até ele para pedir ajuda. Para seu espanto o profeta lhe diz para abandonar a procura.  

Imagine a expressão de Cadmo. Ele deve ter ficado desolado. Como assim abandonar algo que ele perseguiu por anos? Era como pedir para abandonar a razão de sua existência. Em sua sabedoria, o oráculo dá-lhe o seguinte conselho:

Não se preocupe, ao sair daqui, você receberá um sinal do que deve fazer.

Ao sair da caverna Cadmo deu de cara com uma vaca caminhando sozinha, ela tinha umas manchas diferenciadas, ele aceita aquilo como sinal e começa a segui-la até onde ela caiu de cansaço.

E foi exatamente naquele ponto que Cadmo abandona de vez sua busca infinita, ali decide formar uma família e dá início a uma cidade, chamada Beócia. Lá se dedicou a ensinar a escrita e a construir seu próprio reinado tornando-se o fundador da grande cidade de Tebas e o precursor do alfabeto fenício na Grécia.

Tudo mudou na trajetória de Cadmo a partir do momento em que ele percebeu que o que  queria de fato era recuperar seu reino, ter seu lar de volta e não encontrar sua irmã em si. Essa era sua verdadeira busca. Quando percebeu seu verdadeiro objetivo, ele começou a olhar em volta, a viver o presente e com isso passou a enxergar outras oportunidades. 

Esse é o significado de não se apegar a resultados específicos. É ter objetivos claros, mas sem manter foco demasiado em algo a ponto de se ausentar do presente. O excesso de preocupação com os resultados esperados servem apenas para encher nossa mente de informações ilusórias, pois não é possível prever com exatidão o que vai acontecer depois, muito menos prever a reação das pessoas – isso só serve para causar ansiedade e atrapalhar nossa performance. 

A verdade é que, na maioria das vezes, não temos certeza sobre o resultado das ações que estamos tomando, sempre teremos dúvidas sobre o que vai acontecer e quanto mais específico for o resultado perseguido, maiores são as chances de se considerar que não deu certo. Para que isso não aconteça é importante desapegar-se do resultado e concentrar-se na ação.

Dizer sempre para si mesmo: Vou agir independentemente do resultado. A ação deve ser considerada mais importante que o resultado.

Devemos incluir um boa margem de erro em nossos planejamentos e estar conscientes de que os resultados podem e provavelmente serão diferentes do idealizado.

Além disso, apegar-se a apenas a um resultado é descartar todos os outros aprendizados e adiar a felicidade, pois  para nossa mente somente seremos felizes quando atingir aquele objetivo, antes disso não. 

Exercício de visualização: Imagine agora que você planejou visitar uma praia que você não ainda conhece e imagine-se sentado na areia, o mar azul, calmo e transparente, um garçom trazendo um refrescante suco de abacaxi com hortelã ou outro sabor de sua preferência.

Então, você se encontra com alguns amigos e partem para o objetivo. Para chegar a essa linda praia vão precisar atravessar uma longa trilha de aproximadamente uma hora de caminhada. Tudo bem, pois a imagem do sabor do suco desejado faz sua boca salivar.

Na trilha seus amigos ficam parando cada pouco pelo caminho: uma hora para ver a paisagem, outra para ver um passarinho azul, outra para olhar filhotes de saguis nas árvores.. Isso te irritaria? Afinal você só quer chegar logo, certo?

Ao chegar, a praia está lotada, o mar agitado, escuro e ao pedir seu suco é atendido por um rapaz com má vontade que te diz que só tem suco limão no momento!

Tente imaginar: Qual seria sua reação? O que você está sentindo? Conseguiria estar feliz com o que a vida lhe apresentou? Provavelmente não!

É provável que você tenha criado um ideal fictício e se apegado a ele e isso fez com que desvalorizasse todas as outras maravilhas do caminho, como as belas paisagens, a vivacidade dos animais, os sons da mata, o vento e os feixes de raios de sol que entram por entre as árvores. Nós, assim como Cadmo, temos tudo, mas podemos não perceber por estarmos com a cabeça fixa em um futuro irreal e imaginado.

Liberte sua mente da necessidade de atingir um resultado específico e foque na ação do agora.

Abrace a única coisa que você tem de certeza: o agora, que o futuro desejado vem. Agir com autoconfiança não significa ter 100% de certeza de que vai dar certo/acertar, mas, sim, assumir a possibilidade do erro.

Se curtiu deixe um comentário abaixo. Na próxima semana: O Oitavo Mandamento da Autoconfiança.

Analista Comportamental, Life Coach, Mentor de Inovação e idealizador da Reeducação Positiva.
Um potencializador de indivíduos, equipes e resultados. 
Insta: @reeducacao.positiva
Site: www.reeducacaopositiva.com.br

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