Acontece Gramado

Conta a mitologia que Dionisio, o deus das festas, dos ciclos vitais e dos rituais de passagem (mais conhecido como deus do vinho) se apaixonou por Ariadne, mesmo ela ainda casada com o herói Teseu, e a raptou para uma ilha distante. Perdeu, playboy! 

Lá tiveram quatro filhos, dentre eles Estáfilo, o primeiro mortal a experimentar o vinho, que se tornou o responsável por cuidar da colheita, produção e armazenamento de todo o vinho da região. Pelo visto, esse era o negócio da família.

Estáfilo tinha três filhas e certa vez deixou duas delas, Parteno e Molpádia, encarregadas de guardar o vinho que ele acabara de produzir. Acontece que essa era uma tarefa muito tediosa e, em algum momento, adormeceram. Para sua desgraça, algumas porcas do quintal entraram no ambiente a procura de milho e quebraram a vasilha que continha o vinho da colheita.

Então, as duas jovens moças, sentindo um medo enorme da possível reação furiosa de seu pai, resolveram fugir e quando se depararam com um imenso precipício frente ao mar dele se jogaram.

A reação das irmãs parece absurda e desmedida – se jogar de um precipício por causa de um uma vasilha de vinho! Mas quantas vezes já não fizemos coisas estúpidas com medo de encarar nosso chefe, nossos pais ou cônjuge depois de fracassarmos em alguma tarefa?

Você, assim como eu, deve ter pensado que seria mais lógico que as moças assumissem a culpa e aceitassem alguma punição ao invés de tentarem tirar suas próprias vidas. Porém, a maioria das vezes escolhemos nos atirar no precipício da mentira que coloca nossa reputação, emprego e relacionamento em risco caso a verdade seja descoberta. Quem nunca?

Pelo menos elas não escolheram jogar as porcas ao precipício – que seria o equivalente a colocar a culpa nos outros por algo não deu certo. A pior escolha, quando se comete um erro, é tentar acobertar o que se fez ou jogar a culpa em outra pessoa.

O melhor é reconhecer que errou, se mostrar disposto a corrigir o erro, reparar os danos e aprender com ele. Isso se chama autorresponsabilidade – trazer toda a responsabilidade para si.

Muitas vezes, podemos ter medo de parecer fracos, mas não admitir o erro revela uma fraqueza ainda maior. Quando admitimos que erramos demonstramos nossa humanidade e podemos ganhar o respeito daqueles que nos conhecem.

Não estou dizendo que é fácil, em certos ambientes parece que todos estão apenas esperando alguém admitir a culpa para jogarem toda a responsabilidade sobre ele e ainda puni-lo por dizer a verdade.

Especialmente em um país em que se considera idiota aquele que não se safa através de mentiras, assumir uma postura íntegra pode incidir em perdas, mas o maior ganho que você pode ter ao ser íntegro e responsável é uma consciência tranquila e isso contribui para elevar a sua autoconfiança. 

Na vida pessoal, ser autorresponsável significa assumir que sou o único responsável pela vida que tenho, não importa quão ruim ela esteja, ela é o resultado de um conjunto de escolhas e decisões que eu fiz – ou não fiz. Em todas as situações da vida haverá uma escolha: lutar ou calar.

Igualmente, sou o único responsável por mudar aquilo que não está bom. Posso até perder meu tempo culpando o governo, os empresários ricos, as grandes corporações ou até mesmo meus antepassados, mas isso não vai ajudar a menos que eu tome uma atitude e faça algo para começar a mudar esses poderes instituídos.

Quando adquirimos uma postura de abraçar a responsabilidade começamos a entender que todos os problemas trazem em si uma oportunidade e a partir desse olhar conseguimos encontrar benefícios em cada obstáculo.

Além disso, quando assumimos a responsabilidade, paramos de gastar nosso tempo com reclamações ou tentando encontrar culpados e passamos a canalizar nossa atenção e energia em encontrar soluções.

Isso nos torna pessoas e profissionais mais eficientes e admiráveis. E esse é o tipo de pessoa que queremos por perto em todas as situações ou em nossas empresas, aqueles que focam em enxergar soluções que resolvam problemas, em vez de ficarem caçando culpados. Perceba que é para isso que uma empresa te promoveria a um cargo de chefia: para encontrar soluções e não culpados.

Grave essa sequência para usar os erros a seu favor:
a) Reconheça seus erros;
b) Perceba o que aprendeu com eles;
c) Ensine aos outros o que aprendeu com tal erro;
d) Siga em frente.

Afinal, se não houvessem erros que causam problemas não existiriam cargos de liderança.

Ser autoconfiante não significa não cometer erros, mas saber como agir quando eles acontecem.

Estamos próximos do fim desta série de textos. Na próxima semana: O Nono Mandamento da Autoconfiança.

Analista Comportamental, Life Coach, Mentor de Inovação e idealizador da Reeducação Positiva.
Um potencializador de indivíduos, equipes e resultados. 
Insta: @reeducacao.positiva
Site: www.reeducacaopositiva.com.br

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