Acontece Gramado

Bom, chego ao fim dessa nossa série de textos sobre autoconfiança e vou te contar uma última história da mitologia grega: a história do jovem mais bonito que já existiu. Sua beleza era tanta que despertava interesse e paixão em qualquer mulher ou homem que o conhecia. Mas, acontece que o jovem não se interessava por ninguém, se mantinha sozinho e seguia dispensando a todos que se assanhavam pro seu lado.

Inconformadas com a indiferença do rapaz que simbolizava algo inacessível, inúmeras ninfas e donzelas que sofriam em suas paixões não correspondidas suplicaram aos deuses que o punisse por sua arrogância e por escolher viver sem se apaixonar por ninguém.

A súplica se tornou tão grande e constante que os deuses não tiveram outra escolha a não ser atender e uma maldição foi proferida sobre o rapaz: que ele amasse algo com intensidade sem poder ter para si o objeto de seu amor.

A profecia se cumpriu quando, ao se inclinar sobre um lago para beber água, viu seu reflexo e se apaixonou por si mesmo – cada detalhe de seus olhos, lábios, cabelos, tudo era encantador. Ali ele ficou se admirando até definhar e morrer. No local de sua morte nasceu uma flor amarela com pétalas brancas chamada Narciso.

A história da paixão de Narciso por si mesmo é vista com muita negatividade, mas, se analisarmos bem os acontecimentos, não foi exatamente o amor próprio que o matou. Pessoalmente não vejo nada de errado em se amar profundamente.

Posso afirmar que três coisas que de fato causaram seu trágico fim e, acredite, não foi o amor próprio.

O primeiro pecado de Narciso foi ser arrogante. Um pessoa arrogante é aquela que menospreza os outros, se sente superior e acredita que absolutamente não precisa de ninguém para viver. Ao ter essa postura Narciso atraiu nada além da antipatia dos outros que passaram a desejar profundamente o seu mal.

Isso pode acontecer conosco? Com certeza, especialmente no trabalho ao agirmos com arrogância e individualismo. Por isso é importante assumir os erros, pedir ajuda, sempre incluir os colegas nos projetos e, principalmente, nas vitórias atingidas.

Adotar o senso de coletividade, desenvolver a mentalidade do nós equipe e deixar de lado o eu que fiz, o se não fosse por mim e o a culpa foi do fulano que já são um bom começo.

O segundo fator que prejudicou o belo rapaz foi a inveja e o egoísmos das ninfas que passaram a odiar e querer aniquilar aquilo que não podiam ter. Isso acontece quando sofremos por algo que não podemos ter ou mudar. Insistimos em dar voltas e voltas ao redor de coisas que não podemos possuir.

Uma prova disso é o elevado número de feminicídios, os agressores ao perceberem que não podem ter decidem matar a ex companheira. E essa é uma ilusão bem comum – achar que podemos possuir outra pessoa. Uma completa insanidade.

Cada indivíduo é um espírito livre que não pode ser acorrentado. Devemos analisar nossas relações e verificar se estamos vivendo essa falsa noção de que podemos ter alguém, seja nossos parceiros, seja nossos amigos, seja nossos filhos ou pais. Não se pode possuir ninguém. Ponto.

Muitas vezes é dando toda a liberdade para o outro é que ele vai realmente se prender a nós. E vai ser maravilhoso, pois estará ao nosso lado por vontade própria.

O terceiro grande vacilo de Narciso foi o desequilíbrio causado pelo excesso de foco. Ele se tornou aficcionado por algo e simplesmente esqueceu do resto. Esqueceu de suas necessidades fisiológicas, sociais e por que não, econômicas. Tornou-se obcecado por uma ilusão. Quantas vezes não fizemos isso?

Somos bombardeados constantemente com a ideia de ”alcance o sucesso ou o corpo dos sonhos a todo custo” e pensamos que podemos focar somente naquilo e ignorar todo o resto.

Nossa vida deve ser vista como um todo, como um composto de diversas áreas que devem ser atendidas, saúde física, saúde emocional, desenvolvimento intelectual, recursos financeiros, vida social e espiritualidade, entre outras.

Toda vez que foco excessivamente em uma área e negligencio demais outra eu incorro em desequilíbrio. Acredito que a vida seja uma grande busca por equilíbrio, balanço e leveza.

Não, não foi o amor próprio que matou Narciso, foi o desequilíbrio. Nada poderá fortalecer mais a nossa autoconfiança do que o amor próprio e o respeito à nossa vontade. Dizer sim quando se quer dizer não faz um mal danado para nossa autoestima e fere nossa liberdade de ser.

Se eu puder te ajudar na busca por esse equilíbrio eu te aconselho a começar pelo amor próprio. Colocando as tuas vontades em primeiro lugar, com atenção especial à tua vontade de expressar o que é e o que sente através da arte, da vivência de seus talentos, do dizer o que pensa e do viver sendo verdadeiro, honesto e humilde.

Quando estou bem, com minhas necessidades supridas satisfatoriamente, tenho melhores condições de ajudar o outro. Quanto mais feliz e fortalecido estou mais poderei contribuir com minha família, trabalho e sociedade.

Exercício: Sempre que a autocobrança, autocrítica ou desamor próprio estiverem muito fortes repita a seguinte frase: Embora eu ainda não esteja onde quero estar, nem seja o que desejo ser, mesmo assim eu me amo, eu me aceito e me respeito do jeito que estou hoje.

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Analista Comportamental, Life Coach, Mentor de Inovação e idealizador da Reeducação Positiva.
Um potencializador de indivíduos, equipes e resultados. 
Insta: @poder.potencial
Site: www.reeducacaopositiva.com.br

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