Acontece Gramado

Usei a palavra drama mas muitos adjetivos podem ser incluídos neste texto para exemplificar a real situação dos profissionais da área de Eventos em Gramado e Canela. Principalmente os profissionais de pequenos e médios e eventos.

Frustração, desemprego, crise financeira, ansiedade, desespero e perspectiva zero. Estas são algumas definições que cabem bem para o atual momento destes profissionais.

Desde o dia 22 de setembro, o governo do Estado liberou alguns eventos empresariais e de negócios, embora limitados, e estendeu ainda a permissão para a realização de shows e eventos culturais, também mediante restrições.

No entanto, atividades como festas infantis, lançamentos e ações com mais de 30 pessoas, bailões, festas em casas noturnas, casamentos festas de 15 anos e formaturas seguem impedidos de acontecer. Outra restrição é que os eventos só podem ocorrer após a retomada das aulas presenciais. A revolta é geral!

Em Gramado, por decreto, o prefeito Fedoca já determinou o retorno às aulas no dia de ontem.

Já trabalhei por quatro anos em uma empresa de Eventos e também organizo alguns eventos próprios em Gramado e, embora tenha cancelado os mesmos e não dependa deles financeiramente (por serem sociais e sem fins lucrativos) sei bem a mola impulsora que os eventos são para a nossa economia.

Decoração, produtores, artistas, músicos, relações públicas e comunicação, montagem, segurança, ambulância, limpeza, iluminação, Djs, recepção, são dos alguns profissionais que cada um dos eventos contrata gerando emprego e renda em uma cadeia muito produtiva.

Para termos uma ideia do impacto da pandemia neste setor, desde março, é preciso saber que a Gramado é a cidade que sedia o maior número de eventos no Rio Grande do Sul ao ano.

De acordo com a Associação de Marketing Promocional (Ampro), o calendário de eventos, ao lado do turismo, consegue ser responsável por 90% da renda da cidade. São mais de 500 eventos (entre públicos e privados), por ano no município.

Profissionais do setor estão protestando há meses e pedindo uma solução. Créditos Divulgação.

Voltando ao desespero dos profissionais, eu me solidarizo principalmente com os organizadores do pequenos e médios eventos que são os mais impactados pela pandemia e pela paralização total das atividades até aqui.

Concordo com a maioria que acusa o Governador Eduardo Leite, e sua equipe, de fechar os olhos para o setor em termos gerais e fazer algumas pequenas concessões direcionadas apenas à eventos grandes ou gigantes da cidade. Isso não tem a menor lógica!

Ou o Governo do Estado libera para TODOS, ou não libera para ninguém!

Na atual formatação está privilegiada uma pequena minoria dos integrantes deste setor. E, justamente, a minoria menos impactada financeiramente pela crise já que: os maiores são os que possuem a maior renda para conseguir sobreviver por mais tempo a esta crise terrível.

Já os pequenos estão sem nenhuma fonte de renda desde o primeiro mês de paralisação. E lá já se vão seis meses.

Ou seja: está errado o privilégio e concessões para os maiores eventos que são justamente os menos impactados. Enquanto isso, todos os outros setores da sociedade já retomaram as atividades há um bom tempo.

É um erro que só aumenta a dramaticidade da situação da maioria dos profissionais da área que, ao mesmo tempo que não podem realizar os pequenos e médios eventos, estão vendo alguns poucos eventos grandes serem liberados a conta-gotas. Imagine então a frustração!

Precisamos ser solidários com os profissionais deste setor. Que o setor público e as lideranças locais formem uma frente de ação e engajamento que trabalhe por TODOS os profissionais e Eventos, e não de forma individual como está acontecendo. Gramado nunca foi individualista em seus propósitos. Mas nesta questão está sendo! Para tristeza e frustração da maioria.

Jornalista – Editor e fundador dos canais Acontece Gramado e Acontece Floripa.
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