Acontece Gramado

Estamos apontando aqui há alguns dias uma grande insatisfação que tomou conta do empresariado de Gramado e Canela.

Antes de falar destes bastidores é bom deixar claro que o tema desta coluna é economia. Tema que, assim como saúde pública e pandemia, são os motivos de maior debate em nossa comunidade no momento.

Quem acompanha os bastidores em Gramado e Canela sabe muito bem quando o ambiente está fervilhando. Este é o cenário de momento. Parece que a semana que encerrou trouxe à tona uma revolta generalizada contra as restrições.

Por alguns motivos:
1 – 90% dos empresários de Gramado e Canela dependem do Turismo;
2 – Estes empresários estão há um ano acumulando dívidas e, muitos, já fecharam as portas;
3 – O anúncio de restrições até depois da Páscoa pegou todo mundo de surpresa;

Há um mês atrás, quando foi anunciado o fechamento, a promessa era de uma retomada gradual em três ou quatro semanas. E o empresariado de Gramado e Canela aderiu imediatamente às regras e fecharam as portas. Muitos, promoveram ações sociais na busca por arrecadação, doações e equipamentos para os hospitais de Gramado e Canela.

Ocorre que, nem mesmo o Governo do RS, esperava que passado um mês de fechamento, os números de mortes e faltas de leitos de UTI permanecessem altíssimos no Rio Grande do Sul. E a preocupação com este cenário caótico na saúde, forçou o Governador e sua equipe a manter as restrições até pelo menos o dia 4 de abril (domingo de Páscoa). Até lá, os restaurantes e comércio poderiam abrir durante a semana (de dia) e não poderiam abrir à noite, nem em feriados e fins de semana.

O impacto desta decisão é devastador para a economia local. Seriam mais três semanas de fechamento (somando quase dois meses), um prejuízo histórico para os chocolateiros, comerciantes, donos de hotéis, restaurantes e empresas turísticas.

A próxima oportunidade para a economia local ter alguma injeção seria apenas no segundo semestre. O consenso é que a maioria das médias e pequenas empresas não suportariam tamanho hiato e fechariam as portas imediatamente.

Assisti há pouco e vídeo do prefeito de Gramado, Nestor Tissot, apelando ao Governador do RS pela revisão nas medidas restritivas anunciadas. O prefeito gravou o vídeo na manhã deste domingo ao lado do vice, Luia Barbacovi, da secretária de Turismo, Rosa Helena Volk, da procuradora do município, Dra. Mariana Reis, do secretário de Saúde, Jeferson Moschem, e do coordenador da equipe COVID, Ubiratã Oliveira.

Nestor Tissot em vídeo divulgado agora há pouco. Créditos: Reprodução.

No apelo, Nestor inicia falando dos investimentos na área da Saúde e na luta para a diminuição dos números da pandemia que até a semana passada eram exorbitantes em Gramado em um descontrole total.

Realmente, esta semana trouxe um pouco de alento com a diminuição (não do número de mortes), mas do número de internações e novos casos no município. Meu único ponto aqui é que não concordo com a compra de 250 mil reais em ivermectina por parte do município anunciada esta semana. Fora isso, acredito que a situação vem novamente se estabilizando na cidade quando o assunto é Coronavírus.

Sobre o apelo ao Governador Eduardo Leite, Nestor Tissot acerta nas colocações, faz o apelo na hora certa e ouve os anseios da comunidade. Os pontos elencados no vídeo são certeiros, na minha opinião. Vejamos alguns:

  • O protocolo novo do Governo do RS é muito restritivo e não beneficia nenhum setor em Gramado;
  • A liminar que proíbe a cogestão ainda não foi derrubada pelo Governo do RS. A procuradoria de Gramado vai entrar junto na ação para derrubar a liminar do juiz que proibiu a flexibilização; (A LIMINAR FOI DERRUBADA DEPOIS DESTA PUBLICAÇÃO. CONFIRA AQUI)
  • O prefeito quer levar um documento ao Governador Leite sobre Gramado e suas características únicas, sua economia que difere das demais sendo 90% dependente do Turismo;
  • A cidade está quebrada, sem recursos;
  • A Prefeitura pede a flexibilização mais equilibrada da economia, não só para indústrias, supermercados e restaurantes de beira de estrada;
  • O comércio de chocolate da região está há um ano em fechamento e terá sua segunda Páscoa sem poder atender clientes sendo que, Gramado é a cidade com a maior comemoração de Páscoa do país e um dos principais polos chocolateiros do Brasil;
  • Os fabricantes estão quebrados e não conseguem se manter apenas com vendas online;
  • Enquanto as fábricas e lojas de chocolates estão fechadas os supermercados vendem chocolate de forma liberada, faturando o dobro;
  • Famílias inteiras de Gramado que trabalham com turismo nas empresas familiares (característica de Gramado), estão paradas, sem poder trabalhar e nem tendo de onde tirar dinheiro para sua sobrevivência;
  • Os eventos (que são fundamentais) não estão quebrados também mas não é a liberação dos mesmos que se pede. Abrindo o comércio e os atrativos, de forma gradual, a recuperação tão importante pode ser reiniciada;
  • A região turística é totalmente diferente de uma região industrial e precisa sim ser atendida com protocolos diferentes e que se adaptem a esta realidade. As regiões industriais estão em pleno funcionamento. A região das hortênsias está completamente parada;

Todos estes pontos precisam ser analisados de forma específica pelo Governador e sua equipe. Gramado, Canela, Nova Petrópolis e cidades turísticas precisam de protocolos próprios.

E que estes pedidos sejam atendidos, mediante um comprometimento cada vez maior de Gramado e das cidades para com os protocolos sanitários, evitando aglomerações nas áreas centrais e nos bairros, investindo em vacinas e reduzindo a transmissão do vírus e as internações.

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Jornalista – Editor e fundador dos canais Acontece Gramado e Acontece Floripa.
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