Acontece Gramado

Quando escrevi minha coluna de ontem não imaginei a enorme repercussão que ela teria. O tema é realmente relevante e, na minha opinião, deve ser debatido pela comunidade. Leia AQUI.

E, se tem coisa que o Acontece Gramado tem é uma abrangência enorme na comunidade de Gramado, Canela e toda a região. Engajamento então, nem se fala! Para vocês terem ideia são quatro as cidades onde mais temos leitores segundo o Google Analytics: Porto Alegre, Gramado, Canela e Caxias do Sul.

Por isso, e a pedidos de muitos destes leitores, retomo hoje o assunto para pontuar algumas coisas.

De ontem para hoje me surpreendi positivamente com a enorme quantidade de moradores que hoje já não negam o vírus e defendem as restrições em nossa região. Pelo jeito este cenário local onde, o negacionismo do vírus e suas trágicas consequências era uma realidade, já faz parte do passado. E isso é muito positivo.

Lembro que desde o início da pandemia o que víamos eram moradores negando, criticando as restrições e fazendo protestos pela abertura de tudo. E isso, mostrava o quanto nossa comunidade pode ter avaliado mal a situação como um todo.

Temos uma comunidade que, em sua maioria, apoiou as flexibilizações durante todo o ano de 2020 e início de 2021, apoiou insdiscriminadamente o uso da Cloroquina e outros ineficazes.

Também nossa comunidade, em sua maioria, aglomerou bastante em suas casas durante 2020 e início de 2021, em bares, em festas de fim de ano e em viagens. Termos uma mudança desta consciência coletiva, e parece que está acontecendo, é fundamental e merece ser pontuado e destacado para que esta mudança siga ocorrendo.

Eu sou um defensor das restrições, e desde o começo da pandemia o Acontece Gramado defende abertamente que as aglomerações são as grandes responsáveis pela transmissão acima da média em Gramado. Para o tamanho de nossa cidade, não se justifica o alto número de infectados a não ser por uma questão mais comportamental.

Seguimos defendendo isso, e seguiremos. Enquanto não houver vacinação em massa não adianta liberar 100% o turismo pois teremos que ficar abrindo e fechando.

Hoje, Gramado e Canela vivem sim o auge da pandemia, com a variante P1 circulando, hospitais completamente lotados e já falta de Leitos de UTI. Situação dramática e estado do RS em bandeira preta. Os hospitais precisam de ajuda urgente. Esta semana apoiamos as campanhas com um dos posts, por exemplo, tendo mais de 2.500 compartilhamentos em nossa página. Seguiremos fazendo isso.

Sobre a coluna de ontem, sem polemizar, bandeira preta não é lockdown. Hotéis seguem abertos, comércio essencial funciona, transporte coletivo funciona, aulas estão autorizadas, e restaurantes atendem com entrega.

E, sim, muitos turistas seguem na cidade. Não é tão simples para cidades turísticas chegar para os detentores de seu efetivo mais precioso (os turistas) e os mandarem embora. O Turismo não está proibido pelas autoridades, mesmo em bandeira preta. Nossas fronteiras seguem abertas.

E, aqui, entra minha cobrança para que estes turistas que aqui estão, e os que ainda vierem por não conseguirem trocar suas passagens e reservas, que sejam bem recebidos como sempre foram. Precisamos ter bom senso já que não anunciamos um fechamento total da nossa atividade turística.

A cobrança é pontual: não é momento de “turistar”, mas o que fazer com os turistas que aqui estão?

Os turistas não são os culpados pela pandemia, nem pelos alto números de hospitalizações e nem pelas mortes em todo o RS.

São muitos os culpados! Inclusive nós gramadenses e canelenses que aglomeramos nas eleições, no fim de ano, nas viagens para praia e no carnaval. Se buscarmos imagens nos nossos arquivos teremos inúmeros exemplos de festas e aglomerações da nossa comunidade por um mês durante o período eleitoral, por exemplo.

Jogar todo culpa no turista é simplificar a pandemia. Assim como jogar a culpa das consequências em nosso presidente, e nos nossos políticos. É muito simplista. Eles carregam consigo uma grande parcela de culpa sim! Mas não são os únicos.

Ademais, mais do que nunca, o conselho é que se diminua o fluxo para conter a disseminação desenfreada e o número de hospitalizações. Se o turista puder adiar a viagem é o ideal. Se não funcionar, vem lockdown aí!

Além da dignidade do turistas é importante sim mantermos a dignidade dos profissionais da saúde e dos hospitalizados! E isso foi muito pontuado pelas centenas de mensagens que recebi. Obrigado aos leitores pelos comentários construtivos e que mostram a relevância deste canal atualmente. Não é por acaso que em menos de um ano já chegamos a 22 mil seguidores orgânicos nas redes sociais.

Com relação a duas ou três ofensas, foram apagadas sim e sempre serão. Internet não é terra de ninguém. Quem usa a internet para discursos de ódio é sumariamente bloqueado pelos administrados desta página. Sempre foi assim e sempre será. Afinal, este é um canal privado e não de domínio público (ainda bem), e com um perfil de muita opinião. Não mudará!

Para finalizar sobre este importante tema: postar mensagens bonitas nas redes não é o suficiente em um momento como este. Bora doar ao Hospital São Miguel, ao Hospital de Caridade de Canela, evitar aglomerações (a nova variante é 10 vezes mais transmissível), e cobrar nossas autoridades locais e estaduais para que façam sua parte.

Afinal, se dependermos das autoridades federais, a situação vai piorar ainda mais.

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Jornalista – Editor e fundador dos canais Acontece Gramado e Acontece Floripa.
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