A Páscoa, embora celebrada na primeira semana de abril, já movimenta o fluxo turístico em Gramado, na Serra Gaúcha. Reconhecida como a capital nacional do chocolate artesanal, a cidade abriga cerca de 30 fábricas de chocolate, que juntas projetam receber cerca de 700 mil visitantes até o dia 12 de abril, impulsionada por uma extensa programação de eventos temáticos.
Segundo João Teixeira, diretor executivo da Associação de Chocolateiros de Gramado (Achoco), a estimativa de produção para a data supera 800 toneladas do doce. O planejamento das indústrias locais é minucioso: o processo de fabricação teve início ainda em outubro do ano passado para suprir a demanda.

Crescimento no mercado e geração de empregos
A previsão de vendas para este período é 20% superior ao desempenho registrado em 2025. No ano anterior, a produção alcançou 700 toneladas, reforçando a tendência de alta para as sete empresas que compõem a Achoco: Planalto, Miroh, Caracol, Lugano, Florybal, Chocolate Gramadense e Prawer.
A relevância econômica da data reflete-se na manutenção de postos de trabalho. Atualmente, a cadeia produtiva — que abrange desde as dezenas de fábricas até o varejo e parques temáticos — sustenta cerca de 3 mil empregos na cidade. Estrategicamente, as indústrias optam por não realizar contratações temporárias, diluindo a carga de trabalho ao longo de seis meses de antecedência.
“As fábricas iniciam antes para não terem que contratar mais colaboradores, nem de forma temporária. Assim elas conseguem diluir a produção ao longo de praticamente 6 meses antes da Páscoa”, explica Teixeira.
Desafios do setor e custos de produção
Apesar do otimismo, o setor enfrenta obstáculos estruturais. O diretor da Achoco aponta a escassez de mão de obra em diversos setores produtivos como o principal desafio atual. Além disso, a instabilidade nos preços das matérias-primas, especialmente a alta do cacau, pressiona as operações. A estratégia das empresas tem sido absorver parte desses custos para evitar o repasse integral ao consumidor final.
Selo de qualidade e programação turística
Desde 2021, o município detém o título de Capital do Chocolate Artesanal, o que permitiu a criação do selo de Indicação Geográfica (IG). Para ostentar este selo de qualidade, as empresas devem seguir critérios rigorosos de composição, com percentuais mínimos de cacau que variam de 25% (branco) a mais de 55% (amargo).
Atualmente, das sete associadas à Achoco, quatro já possuem a certificação: Prawer, Chocolate Gramadense, Caracol e Planalto. Para João Teixeira, o feriado vai além dos números.








