A conexão rodoviária entre a Rota do Sol, o futuro Aeroporto da Serra Gaúcha (localizado em Caxias do Sul), Canela e Gramado já conta com traçado definido. O anúncio oficial ocorreu nesta semana, durante a abertura da 35ª Mercopar, em Caxias do Sul, com a apresentação dos resultados do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) da ERS-466.
Conduzido pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Logística e Transportes (Selt) e do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), o planejamento apontou a rota pela Estrada do Juá até a ERS-235 como a alternativa mais eficiente, econômica e com menor impacto ambiental.

O traçado e as intervenções previstas
Elaborado pelo Consórcio Rodovias RS e aprovado pelo Daer, o projeto contempla 46 quilômetros de intervenções:
- 41 km entre a Rota do Sol e a ERS-235, em Canela;
- 5 km destinados exclusivamente ao acesso direto ao novo terminal aéreo.
O orçamento estimado é de R$ 288 milhões (com base em valores de janeiro de 2026) — valor significativamente inferior ao das outras duas alternativas avaliadas, orçadas em R$ 499 milhões (via Tunas Baixa) e R$ 517 milhões (via Tunas Altas).
Para o secretário de Logística e Transportes, Clóvis Magalhães, o alinhamento da rota atende diretamente às vocações da região:
“A Serra Gaúcha reúne uma indústria que atende mercados de todo o país e destinos turísticos que recebem visitantes de diferentes regiões. O acesso ao novo aeroporto precisa estar integrado a essa dinâmica, facilitando tanto a chegada de passageiros quanto o transporte de cargas. Ao definir essa ligação, damos um passo para aproximar o futuro terminal dos municípios e das atividades que ele deverá atender.”
Por que a Estrada do Juá foi a escolhida?
A definição pelo traçado do Juá baseou-se em fatores técnicos de engenharia, financeiros e ambientais:
- Obras de arte especiais menores: Enquanto os percursos que cruzavam o vale do Rio Caí exigiriam uma ponte de 1.080 metros, a alternativa eleita prevê três pontes menores que somam 360 metros.
- Geometria favorável: Curvas e rampas mais suaves garantem melhor dirigibilidade e menor custo de terraplenagem e pavimentação.
- Preservação ambiental: A supressão vegetal prevista é de cerca de 9 hectares, contra 24 e 27 hectares das outras propostas. A rota contorna encostas densamente florestadas e contempla 49 passagens de fauna para garantir a travessia segura de animais silvestres.
- Retorno socioeconômico: O estudo aponta um retorno de R$ 1,63 em benefícios econômicos para cada R$ 1 investido, considerando a diminuição do tempo de percurso, custos logísticos, geração de empregos e valorização imobiliária regional.
Perfil técnico da pista e tempo de viagem
A rota atual conta com trechos sem pavimentação e pistas estreitas (entre 3,3 e 4,3 metros, sem acostamento). Com a reestruturação planejada pelo anteprojeto, a rodovia terá:
- Plataforma total de 12,2 metros de largura;
- Duas faixas de rolamento de 3,6 metros cada;
- Acostamentos de 2,5 metros em ambos os lados;
- Velocidade de projeto: parâmetros técnicos calculados para 80 km/h na maior parte do trajeto e 60 km/h nos trechos serranos.
Com essa configuração, as estimativas de deslocamento para veículos leves projetam 47 minutos entre a Rota do Sol e o entroncamento da Estrada do Caracol com a ERS-235 (em Canela), e 48 minutos do futuro aeroporto até esse mesmo ponto de referência.
Próximos passos e prazos
A conclusão do anteprojeto com os levantamentos de campo detalhados está prevista para novembro. A partir desse material, o Estado dará andamento aos processos de licenciamento ambiental, elaboração do projeto executivo e publicação do edital de licitação.
Uma vez iniciadas as frentes de trabalho, a execução das obras tem prazo estimado em 36 meses.











