Estão identificados os criadores e fundadores de grupos e listas de boicote a empresários e eleitores de Gramado e Canela.
Desde o resultado da eleição de domingo, dia 25, um grupo de pessoas ligadas à extrema direita em Gramado, Canela e região, criaram grupos nas redes socais com o objetivo de identificar, listar, intimidar e boicotar empresários e pessoas que supostamente teriam votado na esquerda durante o pleito.
A ordem era clara e as orientações foram printadas por integrantes dos grupos. As imagens vazaram e viralizaram nas redes desde o início da manhã desta terça, dia 27.
As listas com nomes de pessoas físicas e jurídicas, e de seus estabelecimentos, começaram a circular por toda a cidade e as pessoas e empresas listadas começaram a ser ameaçadas e intimidadas nas redes sociais e, pessoalmente, com casos de abordagem e intimidação, inclusive nos próprios empreendimentos.
Um grupo de advogados se reuniu e, em posse dos prints e nomes de todos os criadores e divulgadores das listas, já registrou mais de 30 Boletins de Ocorrência e levou o caso ao Ministério Público e ao MPT.
A informação apurada pela roportagem do Acontece é que a maioria das pessoas listadas são mulheres, estão muito intimidadas mas dispostas a seguir em frente com os processos. Nesta quarta, dia 28, novos Boletins de Ocorrência serão registrados por vítimas dos criadores dos grupos.
O Acontece teve a cesso a diversos prints das conversas dos criadores das listas e boicote onde listavam, um por um, dos empreendimentos supostamente de esquerda, confirmavam entre si se achavam que era mesmo, pediam ajuda para buscar imagens e logomarcas para identificação e criação das listas.
Em outras conversas, os criadores das listas de boicote pediam para todo mundo monitorar os integrantes dos grupos (para identificar possíveis infiltrados) e trocar nome para “não serem identificados”.
A OAB da região se manifestou e acompanha o caso dando suporte às vítimas. Veja aqui o pronunciamento. ASSISTA AQUI.
A ACIC, Associação Comercial e Industrial de Canela emitiu nota condenando os ataques a empresários e destacando que “…Ninguém tem o direito de hostilizar, agredir fisicamente ou verbalmente outra pessoa. Canela é conhecida pela tranquilidade, pela hospitalidade e pelo bem receber. A gente quer cada vez mais turistas, de todo o Brasil, e essa fama é o nosso maior patrimônio. Não fica bem pra nós falar mal de pessoas de outros estados, nem das empresas e empresários da nossa cidade — gente que vai sofrer como todos neste novo tempo que está por vir. Vamos nos unir. É o que Canela precisa”.
Caso de Polícia
A reportagem conversou com os delegados títulares da Polícia Civil de Gramado e Canela para saber como o caso está sendo conduzido via força policial.
O delegado de Canela, Vladimir Medeiros, destacou que a Polícia Civil de Canela instaurou, na manhã desta terça-feira (27), inquérito policial para apurar publicações realizadas em redes sociais que incentivam o boicote a estabelecimentos comerciais identificados com determinada orientação política e divulga mensagem recomendando que as pessoas não tirem férias na Região Nordeste.
A investigação apura a possível prática do crime previsto na Lei nº 7.716/1989, que prevê pena de prisão de até a cinco anos e multa para a prática de indução ou incitação à discriminação ou ao preconceito em razão da procedência nacional.
A apuração busca esclarecer se a mensagem extrapola os limites da crítica político-partidária e da liberdade de expressão e se configura incitação à discriminação contra uma população inteira em razão de sua procedência regional. O conteúdo generaliza escolhas políticas atribuídas ao Nordeste e estimula o afastamento econômico e turístico da região.
A Polícia Civil de Canela também foi procurada por diversos empresários, profissionais e comerciantes locais que relataram sentir-se ameaçados e amedrontados diante da possibilidade de sofrer agressões em razão de sua identificação política. Houve, inclusive, formalização de diversos registros de ocorrência pelas pessoas que relataram tais situações. Esses fatos também serão apurados, consideradas as circunstâncias específicas de cada caso.
“A Polícia Civil de Canela ressalta que a liberdade de expressão e a crítica política são direitos fundamentais, mas não afastam a apuração de eventuais condutas criminosas. A investigação está em andamento, tendo sido juntadas ao inquérito policial prints de publicações em redes sociais e grupos de conversação para a identificação dos responsáveis pela criação e encaminhamento do conteúdo eventualmente criminoso“, destacou Vladimir em nota ao Acontece.
“A instituição em Canela reforça a importância do respeito entre os cidadãos, independentemente de sua origem regional ou orientação política, e alerta que manifestações públicas que eventualmente incitem discriminação ou violência podem ter consequências legais no âmbito policial“, finalizou.









