O ambicioso plano de levar os trilhos da Capital até a Serra Gaúcha avançou mais uma etapa burocrática. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) liberou a autorização para que a empresa Sultrens realize o levantamento detalhado da fauna local. O estudo é uma peça-chave para medir o impacto ambiental ao longo dos 83 quilômetros que conectam a Região Metropolitana ao principal destino turístico do estado.
Com validade de um ano, a permissão exige que pesquisadores monitorem o comportamento de aves, mamíferos, répteis e anfíbios durante as quatro estações. O objetivo é garantir que a futura construção não comprometa o ecossistema regional, prevendo inclusive a realocação de espécies, caso necessário.
Investimento bilionário e capital privado
Diferente de grandes obras de infraestrutura que dependem do caixa do governo, este projeto será executado com 100% de recursos privados. O aporte estimado é de R$ 4,5 bilhões, sob o regime de autorização ferroviária instituído pela lei federal de 2021.
- Licenciamento: A fase atual foca no Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Se os prazos forem cumpridos, a licença prévia deve sair em abril de 2028.
- Construção: A previsão é que os canteiros de obras sejam ativados em maio de 2029, com conclusão estimada para o início de 2032.
- Desafio técnico: O maior obstáculo da engenharia será vencer os 800 metros de altitude da Serra em um trecho de apenas 12 quilômetros de forte inclinação.
O impacto no turismo e na logística
A proposta é oferecer uma alternativa rápida aos congestionamentos das rodovias, transportando até 250 passageiros por viagem em pouco mais de uma hora. O traçado principal já foi definido como o “caminho mais curto”, partindo das imediações do Aeroporto Salgado Filho e atravessando cidades como Canoas, Novo Hamburgo e Santa Maria do Herval antes de estacionar em Gramado.
Além do transporte de passageiros, existe a possibilidade da linha operar com transporte de carga durante a madrugada, otimizando o investimento que pode ter uma concessão de até 99 anos.
O projeto agora está sob a tutela de Leandro Evaldt, na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, que monitora a viabilidade técnica junto à Secretaria de Logística e Transportes.










