A 2ª Auditoria da Justiça Militar, em Porto Alegre, realizou nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, uma audiência fundamental para o desdobramento do caso envolvendo a morte de um estudante de 22 anos em Gramado. Durante a sessão, foram ouvidas duas testemunhas de acusação na ação penal movida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).
A acusação é conduzida pela promotora de Justiça Anelise Haertel Grehs. O foco da audiência foi a produção de prova oral, etapa considerada essencial para esclarecer as circunstâncias da abordagem policial e definir a responsabilidade criminal do policial militar envolvido.
Entenda o caso
O episódio ocorreu na madrugada de 26 de fevereiro de 2023, por volta das 03h40, no Hotel Galo Vermelho, localizado na Avenida das Hortênsias. Na ocasião, segundo relatos da época, a Brigada Militar foi acionada tanto pela vítima — que relatava estar sendo seguida após sair de uma casa noturna — quanto pelo recepcionista do hotel, que suspeitava de uma tentativa de assalto devido ao estado alterado do jovem.
De acordo com o registro inicial da ocorrência:
- O jovem, que tinha diagnóstico de hiperatividade e apresentava sinais de embriaguez, tentava entrar no estabelecimento, mas foi impedido.
- Ao chegarem ao local, os policiais deram voz de abordagem. Segundo o relato da guarnição na época, o estudante teria corrido entre um carro e uma mureta.
- Durante o acompanhamento, ele teria encostado em uma mureta de cerca de 50 centímetros e caído de uma altura de aproximadamente oito metros, morrendo instantaneamente.
Divergências e acusação do MPRS
Embora o relato inicial da Brigada Militar mencionasse uma queda acidental durante a fuga, a denúncia oferecida pelo MPRS à Justiça Militar apresenta uma versão diferente com base nas investigações.
Conforme o Ministério Público, o jovem já estava sentado sobre o muro e não oferecia resistência quando foi atingido por um golpe na cabeça desferido pelo PM investigado, o que teria causado a queda fatal. A promotora Anelise Grehs sustenta que o policial praticou agressões físicas das quais resultou a morte, ainda que sem intenção direta de matar.
Segundo nota do MPRS, “conforme apurado, o estudante apenas tentou se afastar do local e buscava entrar em um hotel, sem oferecer resistência ou representar ameaça”.
Após a oitiva das testemunhas de acusação nesta quinta-feira, o processo seguirá com:
- Depoimentos das testemunhas de defesa.
- Interrogatório do policial militar (réu).
- Manifestações finais das partes.
- Sentença da Justiça Militar.
A redação entrou em contato com o Comando da Brigada Militar de Gramado que não deverá se manifestar neste momento sobre os fatos. A reportagem apurou que o policial em questão teria ficado afastado por um tempo mas segue na corporação gramadense.
Os nomes do policial e da vítima não foram divulgados pela Justiça nesta etapa das investigações.






