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Justiça proíbe sacrifício de 700 aves recolhidas em Gramado no sítio de cunhado de Cristiano Ronaldo

O Poder Judiciário proibiu, em caráter de urgência, o abate das aves apreendidas no criatório do empresário Alexandre Bertoluci Júnior, cunhado do jogador Cristiano Ronaldo, localizado em Gramado. A decisão foi obtida por meio de um mandado de segurança impetrado pelos advogados Guilherme Pretto e Lúcio Constantino, com o objetivo de evitar o destino violento e o sacrifício dos animais.

A medida liminar determinou a interrupção imediata de qualquer procedimento de eliminação dos animais. No entanto, a defesa aguarda esclarecimentos para confirmar se a ordem judicial a tempo de evitar o abate, uma vez que as aves haviam sido encaminhadas a um frigorífico.

Operação e recolhimento

A controvérsia teve início após uma ação realizada nesta terça-feira (4), fundamentada em uma decisão da Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul. A operação contou com o apoio do Departamento de Investigações Criminais (DEIC) e da Delegacia de Polícia de Proteção ao Meio Ambiente (DEMA), resultando no recolhimento de mais de 700 aves do sítio do empresário, cunhado do jogador de futebol Cristiano Ronaldo.

Segundo apurado pela reportagem, a justificativa apresentada pelo órgão estadual para o recolhimento e o encaminhamento dos animais ao frigorífico foi a suposta alegação de que as aves não possuíam origem comprovada. O DEIC não divulgou informações adicionais sobre a execução da operação.

Defesa destaca cuidados e aponta alternativas

Em nota oficial, Alexandre Bertoluci Júnior lamentou a situação e detalhou o perfil do criatório:

“Trata-se de animais que sempre receberam cuidados permanentes, alimentação adequada, acompanhamento de médico-veterinário e manejo técnico especializado. São aves saudáveis, mantidas em um criatório voltado ao aprimoramento genético avícola, construído ao longo de anos de dedicação. É impossível não lamentar que centenas de vidas animais, que sempre receberam assistência técnica, tenham como destino o abate.”

A defesa informou que seguirá acompanhando os desdobramentos do caso e avaliando novas medidas jurídicas para questionar a necessidade e a proporcionalidade da ação da Secretaria de Agricultura, sustentando que existiam alternativas administrativas e sanitárias capazes de preservar a vida dos animais.

Antecedentes da investigação

A operação desta semana ocorre na sequência de diligências anteriores realizadas pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul entre os dias 16 e 17 de julho de 2026. Na ocasião, criatórios nas cidades de Gramado e Igrejinha foram investigados sob a suspeita de envolvimento na procriação, treinamento e comercialização de aves da raça Mura para rinhas.

Conforme os registros policiais da época, cerca de 1,5 mil animais foram localizados, com relatos de situações de maus-tratos, tendo o empresário Alexandre Bertoluci figurado como um dos alvos da apuração. À época, a defesa negou veementemente qualquer irregularidade nas instalações ou nas atividades desenvolvidas no sítio.

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