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Candidatos “de fora” ignoram pacto histórico e poluem visualmente as ruas de Gramado

Conhecida nacionalmente por seu zelo urbanístico e cuidado rigoroso com cada detalhe, Gramado se vê no centro de uma polêmica nesta semana. Um acordo de cavalheiros, mantido há anos por lideranças e partidos políticos locais para preservar a cidade totalmente livre de poluição visual durante os períodos eleitorais, foi desrespeitado por candidatos de fora do município. A invasão de material de campanha gerou revolta entre moradores, comunidade e agentes políticos locais.

O pacto pela preservação visual da cidade envolve historicamente diversas legendas e abrange todas as esferas, seja federal, estadual ou municipal. Pelo entendimento, as ruas e os pontos turísticos permanecem imunes a bandeiras, placas, banners e santinhos, garantindo um ambiente limpo e ordenado tanto para quem mora quanto para quem visita o município.

Gramado e Canela possuem, inclusive, candidatos em campanha para deputado estadual como Professor Daniel e Constantino orsolin, que não colocaram, até agora, seus materiais de campanha nas ruas da cidade.

campamnha gramado - Acontece Gramado
Registro de propagandas eleitorais em locais turísticos e centro da cidade gerou polêmica nesta semana em Gramado. Créditos: Divulgação.

Tradição de respeito e unanimidade partidária

No início do período eleitoral de 2026, o diretório municipal dos Progressistas de Gramado realizou uma grande reunião em sua sede, onde tomou, por unanimidade, a iniciativa de orientar formalmente todos os seus candidatos a não colocarem qualquer tipo de publicidade eleitoral nas ruas da cidade.

Segundo o presidente do PP Gramado, Márcio Coracini, a atitude reflete a essência do município. “Gramado não combina com esse tipo de atitude. Prezamos pelo conforto da nossa comunidade e estendemos esse cuidado a todos os turistas que visitam a nossa cidade. Gramado se diferencia por atitudes como essa. É isso que nos mantém diferentes”, destaca.

Coracini reforça ainda que o eleitor contemporâneo não tolera mais esse tipo de abordagem invasiva. “O turista, em sua própria cidade, muitas vezes já precisa enfrentar uma enxurrada de material político durante as eleições. É algo desenfreado, no qual muitos políticos acreditam que estão agradando ou chamando atenção, quando, na verdade, podem estar perdendo votos. Hoje temos meios muito mais elegantes e inteligentes de chamar a atenção das pessoas. As redes sociais são um universo de infinitas possibilidades e, ao mesmo tempo, não poluem as cidades”, pontua.

Marcio - Acontece Gramado
Márcio Coracini, presidente do PP de Gramado.

Diálogo e alinhamento com lideranças regionais

A postura de diálogo é a tônica adotada pelas lideranças locais para manter o pacto vivo. Recentemente, o partido chamou o deputado Joel, de Igrejinha — político com forte presença e atuação em Gramado —, para uma reunião com o objetivo de reforçar a importância de evitar práticas de divulgação física na cidade.

“Joel é uma pessoa extremamente presente em Gramado. Conversamos com ele sobre a importância de não utilizar essa prática de divulgação eleitoral em nossa cidade, pois nossa comunidade desaprova esse tipo de mídia. Entendemos que isso não traz votos; ao contrário, muitas vezes tira votos. Ele compreendeu imediatamente e seguiu a nossa orientação”, relata Coracini.

Todos os candidatos locais do partido e de outras siglas signatárias seguem rigorosamente o entendimento de manter as ruas limpas, numa demonstração de respeito mútuo e civilidade.

A analogia com o lar e a revolta com os forasteiros

Para o presidente do PP, a falta de consideração de nomes de fora que chegam ao município despejando material de campanha fere o espírito comunitário gramadense. Ele faz uma analogia direta sobre o valor dado ao espaço urbano: “Eu costumo pensar que as ruas da cidade são uma extensão da nossa própria casa. Imagine se, dentro da nossa casa, tivéssemos pôsteres, banners e placas de candidatos em cada cômodo, na cozinha, na sala, nos dormitórios e até no banheiro. Tenho certeza de que a grande maioria das pessoas não gostaria disso. Com a nossa cidade não deveria ser diferente”.

A aparição recente de propaganda de candidatos externos nas vias públicas e em pontos turísticos emblemáticos quebrou a dinâmica pacífica construída ao longo de anos.

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