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Raio-x da imprudência revela que a ERS-115 mata três vezes mais que outras rodovias estaduais

A gravidade dos números registrados na ERS-115 torna-se ainda mais evidente quando confrontada com o panorama das demais rodovias estaduais geridas pelo Rio Grande do Sul. Enquanto a malha rodoviária gaúcha apresenta uma dispersão de acidentes ao longo de seus mais de 10 mil quilômetros, a concentração de óbitos em um trecho de apenas 42 quilômetros (extensão total da 115) coloca a rodovia da Serra em um patamar de risco desproporcional.

ERS 115 - Acontece Gramado
ERS 115 liga Região Metropolitana, Vale do Paranhana e dos Sinos a Gramado e Canela. Créditos: CRBM.

Segundo dados do Detran-RS e do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), o primeiro bimestre de 2026 apresentou uma tendência de queda ou estabilidade em eixos historicamente perigosos, como a ERS-040 (Litoral) e a ERS-122 (Serra/Vale do Caí). No entanto, a ERS-115 remou contra a maré estatística:

Comparativo de fatalidades: Primeiro bimestre (Jan-Fev 2026)

RodoviaExtensão TotalÓbitos (2026)Índice de Letalidade (Mortes/km)
ERS-11542 km70,166
ERS-122168 km90,053
ERS-04094 km40,042
ERS-11880 km30,037

Os números revelam que, embora a ERS-122 tenha registrado nove mortes no período, sua extensão é quatro vezes maior que a da 115. Na prática, a probabilidade de um acidente fatal ocorrer em cada quilômetro da rodovia que liga Taquara a Gramado é três vezes superior à média das outras principais rotas estaduais neste início de ano.

O peso da imprudência no cenário estadual

No acumulado de 12 meses (março/2025 a março/2026), o Rio Grande do Sul registrou aproximadamente 540 mortes em rodovias estaduais. As 12 vidas perdidas na ERS-115 representam uma fatia alarmante para uma via de curta distância.

O fator “embriaguez ao volante”, que vitimou os ciclistas em Três Coroas, permanece como a principal causa de morte nas estradas gaúchas, respondendo por cerca de 18% das fatalidades no estado — índice que saltou para quase 30% especificamente no trecho da Serra neste recorte temporal.

A conclusão das autoridades é de que a ERS-115 não padece apenas de falhas estruturais, mas de um comportamento de risco acentuado. Enquanto o Estado busca reduzir as mortes no trânsito em 50% até 2030 (meta da ONU), a “Rodovia do Medo” caminha na direção oposta, exigindo não apenas asfalto e luz, mas uma fiscalização implacável contra a impunidade que sangra o asfalto da região.

Histórico assustador

A ERS-115, principal artéria que interliga o Vale do Paranhana à Região das Hortênsias, consolidou-se nos últimos 12 meses como um dos trechos mais letais do Rio Grande do Sul.

O dado que mais choca as autoridades e a comunidade local é a concentração das fatalidades. Enquanto o restante de 2025 somou cinco óbitos, apenas os primeiros 60 dias de 2026 já contabilizam sete vidas perdidas. Dessas, todas as sete mortes ocorreram em um intervalo de apenas 10 dias no mês de fevereiro, transformando o período no mais sangrento da década para a rodovia.

O estopim para a crise de segurança na via ocorreu no quilômetro 18, em Três Coroas. Três ciclistas foram brutalmente atropelados e mortos por um condutor embriagado e sem habilitação. O episódio não apenas interrompeu a vida de um casal e uma amiga que pedalavam no acostamento, mas escancarou a fragilidade de quem compartilha a pista com o fluxo intenso de veículos de passeio e carga.

Em Gramado, o cenário não foi diferente. O perímetro urbano da cidade (entre os Kms 36 e 42) registrou quatro mortes em sucessão, envolvendo principalmente motociclistas e pedestres em deslocamento para o trabalho. A ausência de passarelas e a iluminação deficitária em trechos de travessia são apontadas como fatores cruciais para o aumento da letalidade.

Raio-x da fatalidade: Relatório de registros (2025-2026)

DataMunicípioLocalizaçãoNatureza do AcidenteVítimas
28/02/2026GramadoKm 36Atropelamento de pedestre (Bairro Jardim)1
22/02/2026Três CoroasKm 18Atropelamento de grupo de ciclistas (Embriaguez)3
19/02/2026GramadoKm 39Colisão frontal (Moto x Carro)1
15/02/2026GramadoKm 31Saída de pista e capotagem em curva2
12/12/2025IgrejinhaKm 05Colisão lateral (Caminhão x Carro)1
04/11/2025Três CoroasKm 22Atropelamento noturno1
20/09/2025TaquaraKm 02Choque contra mureta de proteção1
15/07/2025IgrejinhaKm 08Engavetamento em horário de pico1
22/05/2025GramadoKm 38Queda de motociclista com atropelamento1
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Números de mortes e acidentes na ERS-115 assustam a região. Créditos: Acontece Gramado.

Especialistas e o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) convergem em um diagnóstico: a ERS-115 sofre com um tráfego misto perigoso. O aumento do fluxo turístico para a Serra Gaúcha divide espaço com operários e ciclistas das cidades de Igrejinha e Três Coroas.

Mobilização por infraestrutura

A escalada de mortes mobilizou prefeitos da região e a Associação de Municípios da Encosta Superior da Serra (Amesne). A cobrança agora é direcionada à EGR (Empresa Gaúcha de Rodovias) para a instalação urgente de radares fixos, melhoria na sinalização horizontal e a construção de refúgios seguros.

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