Olá leitores, este é o primeiro e o último texto de 2022 e escrevo no dia 31 de dezembro, que é para ser fiel ao título.
Fiquei um bom tempo sem aparecer por aqui, quis escrever sobre várias coisas, mas ou eu não estava com propriedade para tratar de tal tema ou o assunto se esvaía, líquido, como diz Bauman.
Na falta de algo que estivesse sendo relevante ou que eu me sentisse segura em abordar optei pelo silêncio. Silêncio, em se tratando da minha pessoa, é um exercício enorme.
E aí chega o fim de ano e embora seja somente mais uma data entre tantas, eu sempre acabo me contaminando com o sentimento coletivo (beijos Durkheim) e faz com que eu resolva quebrar o silêncio, então vamos nessa!
Poucos anos atrás eu reli uma frase do Freud que é bem badalada, que diz o seguinte: “Quando Pedro fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”. Caso você leitor é ouvinte do Happy Wine(programa da Rádio Clube – 88.5 – todas as quintas das 22h à meia noite) já me ouviu citando algumas vezes, mas se você não ouve primeiro trate de ouvir e segundo vou dizer a razão pela qual resolvi falar dela hoje.
Impressionante o tanto que a gente fala de si mesmo o tempo todo, principalmente quando vamos falar de outra pessoa ou situação da qual não estamos inseridos.
Desde o comentário sobre a roupa da outra, que será um elogio se a pessoa veste algo que a narradora vestiria ou uma crítica caso a roupa/produção citada jamais entraria no guarda-roupa dela quando na verdade, bem vestido ou mal vestido tem muito mais com a personalidade de quem usa do que com a de quem narra, até comentários sobre política, economia ou ordem social, estamos sempre falando de nós mesmos, raríssimamente é sobre o outro ou sobre uma situação alheia a nós.
Outro dia estava conversando sobre uma pessoa que está mudando o seu estilo de vida, trocando de casa, de trabalho e de tudo mesmo. Enquanto alguns elogiavam, porque gostariam de fazer o mesmo, outros que criticavam era pelo fato de não imaginarem uma vida daquela maneira, ou seja, praticamente ninguém estava falando da pessoa que mudou sua maneira de viver e sim delas mesmas o tempo todo.
Vou nadar em águas mais profundas, pisciana que sou e com ascendente em Libra e falar sobre justiça social (tenho um apelido que é “Polemikaren” (polêmica + Karen), já queestamos sempre falando de nós mesmos!
Como é que a maioria das pessoas, que nunca precisou utilizar políticas públicas, pensa sobre aspolíticas públicas de inclusão ou de reparação social ?
Silêncio…
Até 2023.

















