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Início das obras da Nova Centralidade de Gramado dependem das contrapartidas dos empresários

A Câmara de Vereadores de Gramado aprovou nesta semana, no dia 4 de maio, o ambicioso projeto que estabelece a nova Centralidade de Gramado no bairro Mato Queimado. Situada a cerca de seis quilômetros do núcleo urbano atual, a área de 911 hectares promete ser o novo coração funcional da cidade, mas uma dúvida paira sobre a comunidade: quem será o responsável por erguer as ruas, redes de esgoto e complexos públicos desta “nova cidade”?

Ao contrário do que se poderia imaginar, o peso da construção da infraestrutura inicial não recairá sobre os cofres públicos. Em entrevista concedida nesta quarta-feira, 6 de maio, o prefeito Nestor Tissot foi enfático ao esclarecer que o desenvolvimento da região será capitaneado por empresários e investidores.

nova centralidade - Acontece Gramado
Imagem em projeção mostra como seria a Nova centralidade no bairro Mato Queimado. Créditos: Divulgação.

Investimento privado como contrapartida

Como toda a extensão da nova Macrozona 10 (MZ10) é composta por terras privadas, o modelo de crescimento será baseado em parcerias. Conforme novos projetos forem submetidos para aprovação, a legislação exigirá que partes das áreas sejam repassadas ao município, além da execução direta de obras de infraestrutura como contrapartida pelo direito de construir.

“Tudo é parceria da prefeitura com a iniciativa privada, aliás uma relação que temos muito forte”, afirmou Nestor Tissot.

O prefeito citou como exemplo o empreendimento do Club Med, que será erguido dentro dos limites da nova centralidade. Segundo Tissot, uma reunião do Executivo com os responsáveis pelo projeto deve sugerir que o grupo assuma a construção de uma extensão de 2,5 km da Avenida Borges de Medeiros. A obra deve seguir o padrão atual da via, com iluminação subterrânea, tornando-se um dos primeiros marcos físicos da expansão.

O papel dos proprietários e o cronograma

Embora a Prefeitura de Gramado assuma a abertura de ruas em determinados pontos, a maior parte dos serviços essenciais — como pavimentação, redes de esgoto com tratamento descentralizado e calçamentos — ficará a cargo dos empreendedores.

O ritmo de transformação do Mato Queimado dependerá, quase exclusivamente, da agilidade e do interesse do setor privado. Com a aprovação do Plano Urbanístico, proprietários de terras e investidores precisam agora movimentar seus projetos para que a infraestrutura saia do papel.

Um novo conceito urbano

A Nova Centralidade foi projetada para ser uma “cidade de 15 minutos”, priorizando pedestres e o transporte coletivo. O projeto prevê:

  • Capacidade: Planejada para até 50 mil habitantes.
  • Sustentabilidade: Potencial de geração de 14.455 MWh/ano de energia solar e metas de “Perda Líquida Zero” de vegetação.
  • Equipamentos Públicos: Espaço reservado para um Hospital Regional e um Terminal Intermodal que conectará a cidade à Rota do Sol e ao futuro Aeroporto de Vila Oliva.

Até o momento, em maio de 2026, nenhuma obra física foi iniciada. O projeto aguarda a sanção do Executivo nos próximos dias para que as primeiras negociações de contrapartidas sejam formalizadas e as máquinas comecem, finalmente, a redesenhar o futuro de Gramado.

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